NOS QUINZE ANOS DO SEQUESTRO DO ÔNIBUS 174, DOCUMENTÁRIO CONTEXTUALIZA EPISÓDIO
- Renato Landim
- 12 de jun. de 2015
- 2 min de leitura

Um dos casos mais emblemáticos da história policial do Rio de Janeiro completa hoje, dia 12, quinze anos, O assalto ao ônibus da linha 174, no Jardim Botânico, zona sul da cidade, em que Sandro do Nascimento, manteve reféns sob a mira de um revólver por mais de cinco horas, culminando na morte de uma delas. Boa parte da ação esteve sob as cãmeras de TV que transmitiram ao vivo o episódio.
O caso foi o mote para que o cineasta José Padilha produizesse, em 2002, o documentário Onibus 174, que foi ganhador de vários prêmios no Brasil e no exterior. No filme, Padilha destrincha as dúvidas geradas pelo caso e tenta desvendar os motivos que culminaram naquele ato, inclusive o trabalho da polícia, então bastante questionado.
Utilizando-se de um vasto acervo das reportagens de TV, o documentário contextualiza a figura de Sandro, que era um dos sobreviventes da chacina da Candelária. Colhe o depoimento de uma tia, revelando os problemas de relacionamento entre o sequestrador e sua mãe.
O momento mais contundente é destacar o depoimento de um "bandido profissional", que, com o rosto coberto, explica como era a vida de Sandro e fala de modo cru o lado podre da polícia e revela a facilidade na compra de armas. Questionada à época pelos supostos erros na condução do caso, a Polícia dá sua versão, com policiais que participaram da operação fazendo uma avaliação.
Numa entrevista para o curso de jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, de São Paulo, o diretor José Padilha contou que, na hora do sequestro, acompanhou a cobertura da TV da esteira de uma academia de ginástica e permaneceu ali na impossibilidade de voltar para sua casa. Para fazer o filme, o diretor contou ter levado mais de um ano pesquisando a fundo o tema e contou com detetive e advogado para levantar junto a cartórios e prisões mais dados oficiais sobre Sandro, de modo a buscar as pessoas que o conheceram.
Padilha frisou que a dificuldade de colher depoimentos dos policiais envovidos no caso, o que só conseguiu depois que Antony Garotinho deixou o governo do Rio. Nesse periodo, gravou uma entrevista com um policial usando máscara e tendo a voz distorcida. Padilha revelou também que o orçamento do filme foi de R$800 mil reais, mas que só foi possivel levar o projeto adiante graças à remuneração em dólar de documentários feitos para a National Geographic.
Assista aqui ao trailer de Onibus 174